Alfarrábio Cultural - “Almerinda Farias Gama”

Alfarrábio Cultural “Almerinda Farias Gama”, localizado no paredão da Assembleia Legislativa, na Rua Dr. Pontes de Miranda, integra há mais de cinco décadas a paisagem cultural de Maceió. O espaço reúne pontos de venda, troca e compra de livros usados, além de discos e revistas, incluindo exemplares raros.

Funcionam como alternativa de acesso à leitura, promovendo inclusão para toda população. Ao longo do tempo, contribuíram para a formação de leitores e para a circulação de obras fora do circuito comercial tradicional. A atividade também garante renda para dezenas de trabalhadores que atuam diretamente nos quiosques.

Após anos de funcionamento sem requalificação estrutural, o espaço foi revitalizado pela Prefeitura de Maceió. A intervenção incluiu melhorias de acessibilidade e requalificação do ambiente urbano, com adequações na circulação de pedestres e reorganização da área.

O projeto considerou a diversidade de acervo existente nos alfarrábios, com presença de obras de diferentes áreas e públicos, incluindo títulos ligados à literatura negra. Essa característica amplia o alcance do espaço e mantém a oferta de conteúdos que não têm distribuição ampla no mercado editorial convencional.

O nome Alfarrábio Cultural “Almerinda Farias Gama” foi proposto pelo Instituto Raízes de África em homenagem à alagoana, que se destacou como uma das primeiras mulheres negras a atuar na política brasileira. Sua trajetória inclui atuação como jornalista e sindicalista, além da participação na Assembleia Nacional Constituinte de 1933 como delegada classista. Ao longo da vida, defendeu direitos das mulheres e dos trabalhadores e também se dedicou à escrita, com produção de textos e poemas de temática social, mantendo atuação pública até 1993.

Na gestão do prefeito JHC, foram construídos 18 novos quiosques, mantendo o mesmo número das antigas unidades. Os quiosques utilizam uma estrutura metálica composta por vigas e pilares em perfis metálicos com vedações em placas cimentícias reforçadas. O projeto incluiu requalificação de calçadas, ajustes em meio-fio e sarjetas, adequações de acessibilidade com rampas nas esquinas e execução de muralismo com elementos literários.

Por Jéssica Viturino