Cartas abertas estimulam a escrita e o protagonismo de estudantes da rede municipal
Atividade do Fórmula da Vitória levou alunos da Escola Municipal Manoel Pedro a argumentar sobre questões da própria unidade de ensino
O que pode ser feito para melhorar a merenda, os banheiros e os espaços de uma escola? Na unidade de ensino municipal Manoel Pedro, essas questões se transformaram em temas de cartas abertas produzidas por estudantes do 6º e do 7º anos do Ensino Fundamental. A atividade integra o "Fórmula da Vitória", solução educacional desenvolvida pelo Instituto Ayrton Senna, em parceria com a Secretaria de Educação de Maceió (Semed), voltada à recomposição da aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática.
A proposta utiliza atividades estruturadas para trabalhar habilidades que os estudantes ainda precisam consolidar, relacionando os conteúdos escolares a situações do cotidiano. Na unidade escolar, o trabalho pedagógico é desenvolvido ao longo de três módulos, sendo o primeiro sobre poesia, o segundo carta aberta e o terceiro contos de assombração.
O encerramento do projeto, com a apresentação das cartas abertas ocorreu em outubro, nos turnos da manhã e da tarde, com cerca de 20 estudantes em cada período. Durante a atividade, os alunos expuseram suas produções a representantes da escola, incluindo profissionais da coordenação, direção, assistência social e psicologia.
No início em maio, a programação incluiu autoapresentação, produção textual, construção de um mural de expectativas, atividades envolvendo Matemática e leitura do livro Poemas e Poesias.
O primeiro módulo foi apresentado pelos estudantes das quatro turmas em 17 de julho, no palco e no pátio da escola. Após a conclusão, os alunos escreveram suas produções em meia folha de papel A4 e encaminharam os textos à Semed para a seleção de poemas que poderão integrar um livro organizado pelo Instituto Ayrton Senna.
Protagonismo estudantil
Na sequência, o trabalho avançou para o gênero carta aberta. As quatro turmas escolheram questões da própria escola para desenvolver os textos. “Trabalhamos a argumentação e a produção textual. Primeiro, eles escolheram o problema e, depois, aprenderam a escrever uma carta aberta”, explicou a professora Nélida Fernanda, que acompanhou o processo.
Para apoiar a elaboração das cartas apresentadas em outubro, a docente utilizou entrevistas e artigos científicos como referências para a construção dos argumentos. “Cada estudante escreveu uma parte, e depois reunimos tudo em uma única carta”, contou.
Segundo Nélida Fernanda, a participação dos estudantes foi positiva, inclusive daqueles que demonstravam timidez. As cartas foram encaminhadas pela direção da escola à Semed.
Voz dos estudantes
A escolha dos temas permitiu que os alunos trabalhassem a escrita a partir de situações que conhecem. A experiência também exigiu que os estudantes apresentassem suas ideias diante de outras pessoas. “Foi interessante participar do projeto, porque aprendi coisas novas, como para quem serve uma carta aberta e como fazer um e-mail. Gostei de participar. Na apresentação, fiquei muito nervosa, mas depois deu tudo certo, mesmo tendo quase passado mal”, disse a estudante Maria Elisa, 12 anos.
A experiência também foi marcada pela superação da timidez. “Foi uma experiência diferente e boa. Fiquei com vergonha no começo, mas depois consegui me soltar e apresentar”, contou Daniel Rian, 12 anos.
Ivaldo Ricardo, 13 anos, ressaltou a importância de discutir questões do cotidiano escolar. “Gostei de trabalhar com os problemas da escola. Aprendi sobre esses problemas e argumentação”.
Após a conclusão do módulo carta aberta, os estudantes realizaram uma atividade de produção de cartas pessoais destinadas a outros estados. Na elaboração dos textos, apresentaram-se, compartilharam seus gostos e interesses pessoais e relataram as experiências vivenciadas.
A atividade proporcionou a retomada dos conteúdos trabalhados e a sistematização das aprendizagens, contemplando os elementos estruturais do gênero carta pessoal, como saudação, desenvolvimento, despedida, assinatura e identificação do remetente e do destinatário.
Fórmula da vitória
A Fórmula da Vitória tem como público central estudantes do 6º ao 9º anos do Ensino Fundamental. A solução educacional trabalha Língua Portuguesa e Matemática por meio de materiais estruturados, atividades sequenciais e estratégias pedagógicas voltadas ao desenvolvimento acadêmico e socioemocional.
“O resultado que buscamos é utilizar o Fórmula da Vitória como suporte para que eles desenvolvam habilidades e avancem no processo de ensino e aprendizagem”, destacou Pauline Nathaly, técnica do setor de Ensino Fundamental da Semed e coordenadora da iniciativa.
O trabalho pedagógico é desenvolvido ao longo dos módulos, com atividades que permitem aos estudantes exercitar diferentes habilidades. “Passar por todas as etapas de implementação, acompanhamento e consolidação do Fórmula da Vitória está sendo uma experiência muito significativa”, finalizou Pauline.
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