Prefeitura de Maceió resgata pilares econômicos da capital com revitalização de mercados públicos históricos

Quatro equipamentos ganham nova estrutura para comerciantes que vivem dos mercados públicos há gerações e clientes que frequentam diariamente os espaços

Gabriel Mileno/Secom Maceió 21/09/2026 às 10:29
Prefeitura de Maceió resgata pilares econômicos da capital com revitalização de mercados públicos históricos
Reforma do Mercado da Produção vai garantir melhores condições de trabalho para comerciantes e conforto para consumidores. Foto: Victor Vercant

Em Maceió, os mercados públicos atravessam gerações e fazem parte da rotina social e cultural de bairros inteiros. Agora, esses espaços recebem uma transformação estrutural com obras de modernização realizadas pela Prefeitura. O Mercado da Produção, Mercado do Benedito Bentes, Mercado do Tabuleiro e o Mercado do Jacintinho passam por processos de revitalização para oferecer mais conforto a comerciantes e clientes e solucionar problemas estruturais acumulados ao longo dos anos.

A história dos mercados públicos de Maceió remonta a novembro de 1848, quando foi criado o primeiro equipamento desse tipo na capital. Ao longo das décadas, os espaços passaram por mudanças e ampliações para acompanhar o crescimento da cidade e as necessidades de comerciantes e consumidores.

Na atual gestão, as intervenções alteram não apenas a estrutura dos equipamentos, mas também as condições de trabalho de quem passa o dia nesses espaços. Onde antes havia problemas de organização, circulação e infraestrutura, os novos mercados passam a contar com ambientes climatizados, boxes individuais, acessibilidade e estruturas específicas para a comercialização e o manejo de carnes, pescados, raízes, folhas e ervas.

Mercado da Produção

Em 1975, a construção do Mercado da Produção foi anunciada como solução para os problemas de insalubridade, falta de higiene e inundações no período chuvoso, mas o equipamento só foi entregue em agosto de 1978 e problemas como alagamentos, acúmulo de lixo e condições sanitárias precárias persistiram desde então.

Esses problemas também fazem parte do contexto que levou ao atual processo de revitalização, iniciado durante na gestão anterior e com continuidade pelo atual prefeito, Rodrigo Cunha. A revitalização do Mercado da Produção foi estruturada em etapas modulares, o que permitiu a continuidade do funcionamento das atividades comerciais durante a execução das obras.

A primeira etapa, já entregue pela Prefeitura, construída onde antes era o espaço do antigo Bompreço, possui 2.420 m² de área construída. O espaço agora abriga 76 permissionários, distribuídos em boxes internos com paredes de vidro e bancadas fixas.

Dentro do espaço da primeira etapa, são 24 boxes para comercialização de flores, 36 específicos para produtos orgânicos e 32 bancas para produtos não orgânicos, sendo duas por permissionário. Toda a edificação conta com ambientes climatizados e banheiros exclusivos e adaptados para pessoas com deficiência.

O projeto geral da revitalização do Mercado da Produção pretende ampliar a capacidade do equipamento, com o aumento do número de permissionários de 1.400 para mais de 2 mil, num pacote de investimentos de R$248 milhões.

O espaço, moderno e completo, contará com área de convivência, a creche Gigantinhos, boxes organizados com vidro e acabamento moderno, climatização, bancadas fixas, equipamentos de acessibilidade e 900 vagas de estacionamento. Enquanto a primeira etapa foi construída no espaço onde antes funcionava o Hiper Bompreço, a segunda parte do mercado preserva a arquitetura do prédio original do Mercado da Levada, projetado em 1970 pelo arquiteto uruguaio Eladio Dieste.

Suzana e Juliana Dias, irmãs que comandam o empreendimento da família, o Empório Nordestino, onde comercializam castanhas, nozes, temperos e outros produtos orgânicos, apostam na retomada completamente benéfica do novo espaço.

Irmãs que comandam empório contam com aumento da clientela após revitalização do mercado. Foto: Victor Vercant
Irmãs que comandam empório contam com aumento da clientela após revitalização do mercado. Foto: Victor Vercant

"Eu acredito muito que, com o novo mercado, vai melhorar bastante o movimento e o fluxo de gente aqui dentro, porque realmente caiu bastante o volume de clientes. Uma das principais dificuldades que a gente enfrenta é o período de chuva. Eu já tive vários prejuízos por conta disso. O que eu acho que vai agregar mais para o nosso trabalho é a higiene. Acredito que vai ser bem melhor", disse Suzana.

A comerciante reforça que aguarda para entrar no novo espaço e organizar seus produtos. “Eu já tenho meio que um modelo pré-montado, projetado, mas primeiro a gente precisa estar lá para ver. Em relação à umidade e aos problemas de armazenamento causados pela chuva, eu acredito que isso também vai ser sanado no novo mercado”, completou.

Mercado Público do Benedito Bentes

O Mercado do Benedito Bentes começou a funcionar em 1987, durante o processo de expansão urbana da capital, quando o equipamento passou a atender à demanda de um bairro que crescia e se consolidava como um dos mais populosos de Maceió. Quase 40 anos depois, o novo Mercado Público do Benedito Bentes foi o primeiro entregue nesta atual gestão, mudando a vida de permissionários que aguardavam havia décadas pela estrutura.

Novo Mercado do Benedito Bentes foi o primeiro a ser concluído na atual gestão. Foto: Victor Vercant
Novo Mercado do Benedito Bentes foi o primeiro a ser concluído na atual gestão. Foto: Victor Vercant

Foram R$ 9 milhões investidos em mais de 1.575 m² de área, com capacidade para cerca de 112 permissionários, divididos em 88 boxes e 24 tarimbas. Organizado por segmentos, o novo Mercado do Benedito Bentes tem setor de restaurantes e alimentação, confecções e utilidades, manutenção, pescados, cereais, carnes e frango, além de espaço para a feira livre de frutas e verduras.

Cada boxe focado na exposição de carnes e pescados tem, aproximadamente, 5 m². Já as tarimbas, usadas também para o manejo do frango, têm cerca de 6 m². Todas as unidades contam com pia, balcão de mármore em formato de "L", forro em gesso e paredes em cerâmica, garantindo mais conforto, segurança e praticidade.

A estrutura utiliza a Praça Padre Cícero como apoio ao espaço de estacionamento já existente, que também passou por revitalização com a implantação de um jardim paisagístico.

Para Edna Alves, que trabalha há 20 anos na barraca Peixaria Sorriso, a mudança representa o fim de um período de dificuldades.

Depois de muitas perdas, Edna já garantiu espaço no novo mercado.  Foto: Victor Vercant
Depois de muitas perdas, Edna já garantiu espaço no novo mercado. Foto: Victor Vercant

"Estou cansada de levar choque, de levar chuva. A gente perde o maquinário e tem que ficar trocando. Isso é coisa do mercado velho, que eu espero nunca mais passar. Do mercado novo, eu espero que venha bastante cliente para comprar da gente, porque está tudo bonito e tudo ok por lá."

Atualmente, Edna trabalha ao lado da filha, Edilane, que também atua como feirante no mercado, e já garantiu seu espaço na nova estrutura. "Tenho netos e, quem sabe, algum dia eu possa passar esse negócio para alguém da minha família", conta, ao lembrar que o comércio de pescados, com camarão, sururu, filé de siri, maçunim e, principalmente a tilápia, já passa de geração em geração.

Mercado do Tabuleiro

A nova estrutura, construída no local onde funcionava o mercado da tradicional feirinha do bairro, terá mais de 1.095 m² em um terreno com mais de 10 mil m². O projeto organiza as atividades comerciais e oferece melhores condições de trabalho aos permissionários, além de mais conforto, segurança e acessibilidade ao público.

O projeto também prevê uma área externa para a feira livre, destinada à comercialização de frutas e verduras, enquanto o setor interno permanece voltado para a venda de carnes, frangos, pescados e cereais. Com investimento total superior a R$9,3 milhões, a obra integra as ações de requalificação urbana do Tabuleiro do Martins e de valorização do comércio popular. Espaços de convivência e alimentação, ventilação e iluminação natural, piso tátil, rampas de acessibilidade e tarimbas adequadas para o manuseio dos itens completam o novo mercado do bairro.

As obras avançam em ritmo acelerado: a montagem do galpão pré-moldado já ultrapassa 85% de conclusão, restando o telhamento e o fechamento em alvenaria, enquanto as fundações dos quiosques e as vigas baldrames seguem em execução.

Mercado do Jacintinho

Quarto mercado público revitalizado na atual gestão, o Mercado do Jacintinho se destaca pela área superior a 1.500 m², que beneficiará cerca de 108 permissionários, distribuídos entre os setores de carnes e frangos, pescados, cereais e laticínios.

O equipamento contará com 84 boxes e 44 tarimbas para a comercialização e manejo correto dos itens. Restaurantes, lanchonetes, banheiros, lojas na área externa e espaços de apoio aos permissionários são previstos no projeto.

A antiga estrutura do mercado foi demolida para dar espaço a uma nova totalmente pensada e projetada para atender às necessidades dos comerciantes e clientes. Com os pilares e demais elementos de concreto da estrutura principal já implantados, as equipes avançam agora na montagem dos boxes e da cobertura.

Entre os novos boxes de vidro, as bancadas de mármore e os galpões que ainda ganham forma, os mercados públicos de Maceió seguem fazendo parte de uma história que começou em 1848 e continua se reinventando a cada geração. Para comerciantes como Suzana, Juliana, Edna e Edilane, a expectativa vai além do concreto e da nova estrutura: é a chance de recomeçar sem medo da chuva, da umidade e dos prejuízos que marcaram décadas de trabalho.

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