Em três dias, Maceió transforma Jaraguá em território de encontros e celebra a força da cultura na primeira edição do Festival Internacional

Evento reúne mais de 150 grupos e artistas em três dias de programação e colocou a cultura de Maceió em diálogo com diferentes territórios do Brasil e do mundo

Thauane Rodrigues/ Ascom FMAC 28/09/2026 às 17:42
Em três dias, Maceió transforma Jaraguá em território de encontros e celebra a força da cultura na primeira edição do Festival Internacional
Cultura toma conta das ruas de Jaraguá durante os três dias do Festival Internacional de Cultura de Maceió, reunindo artistas de Alagoas, do Brasil e de outros países. Foto: Alisson Frazão/ Secom Maceió

Durante três dias, Jaraguá se transformou em uma grande celebração da cultura. Entre 25 e 27 de setembro, espaços do bairro histórico foram tomados por música, dança, tradição, memória e encontros no primeiro Festival Internacional de Cultura de Maceió.

Promovido pela Prefeitura de Maceió, por meio da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC), o evento reuniu mais de 150 grupos e artistas de Alagoas, de diferentes estados brasileiros e de países como Colômbia, Croácia e México.

Mais do que apresentar espetáculos, o festival nasceu com o propósito de colocar a cultura para pulsar na rua e transformar Jaraguá em um território de convivência. Durante o fim de semana, maceioenses e visitantes encontraram, no mesmo espaço, diferentes sotaques, ritmos, saberes e tradições, em uma experiência marcada pelo intercâmbio e pela valorização de quem faz cultura.

A primeira edição alcança uma dimensão que coloca o Festival Internacional de Cultura de Maceió entre os grandes encontros culturais realizados no país. E, sobretudo, mostra a força da cultura local: os artistas da terra não foram apenas parte da programação, mas protagonistas de um encontro que permitiu que suas manifestações fossem conhecidas por grupos e públicos de outros lugares.

Uma das marcas do festival esteve nos nomes escolhidos para os sete polos espalhados por Jaraguá. Em vez de simplesmente identificar espaços, a Prefeitura de Maceió decidiu transformar cada polo em uma homenagem à memória cultural de Maceió.

Os palcos receberam os nomes de Mestre Geraldo, Arnaldo Ferjú, Benedito Mossoró, Fátima Menezes, Peró Batista, Cacá Diegues e José Acioli, personalidades que ajudaram, cada uma à sua maneira, a construir a história artística e cultural da cidade.

Rua Sá e Albuquerque se transforma em um grande território cultural durante o festival, aproximando artistas e público em uma celebração a céu aberto. Foto: Alisson Frazão/ Secom Maceió
Rua Sá e Albuquerque se transforma em um grande território cultural durante o festival, aproximando artistas e público em uma celebração a céu aberto. Foto: Alisson Frazão/ Secom Maceió

A escolha transformou o próprio circuito do festival em um espaço de memória. Ao circular pelo Jaraguá, o público não encontrava apenas apresentações: encontrava histórias, trajetórias e nomes que fazem parte da identidade cultural de Maceió.

O espírito do festival ganhou ainda mais força nos cortejos que ocuparam Jaraguá durante o fim de semana. No sábado (26), as Escolas de Samba de Maceió levaram seus sambas, cores, fantasias e batuques para as ruas, transformando o bairro histórico em uma grande avenida de celebração. O cortejo evidenciou a força do carnaval maceioense e abriu espaço para que artistas e comunidades que mantêm viva essa tradição fossem vistos e reconhecidos.

No domingo (27), foi a vez do frevo tomar conta de Jaraguá. Passistas e músicos fizeram da rua um grande baile a céu aberto, encerrando o festival com a energia de uma manifestação que também faz parte da identidade cultural de Alagoas e da história de Maceió.

Cortejo das Escolas de Samba levou cores, ritmos e a força do carnaval maceioense para as ruas de Jaraguá no sábado (26). Foto: Alisson Frazão/ Secom Maceió
Cortejo das Escolas de Samba levou cores, ritmos e a força do carnaval maceioense para as ruas de Jaraguá no sábado (26). Foto: Alisson Frazão/ Secom Maceió

Para o prefeito Rodrigo Cunha, o Festival Internacional de Cultura de Maceió representa uma oportunidade de fortalecer o sentimento de pertencimento, promover o intercâmbio cultural e ampliar a visibilidade dos artistas locais. Além de valorizar as tradições e aproximar diferentes culturas, o evento também movimenta a economia da cidade, gerando renda e oportunidades para quem vive da arte e da economia criativa.

“Encerramos o Festival Internacional de Cultura com o Jaraguá cheio de música, dança, arte e encontros. Foram dias de muita troca, com nossos artistas dividindo os palcos com grupos de outros estados e países, levando nossas tradições mais longe e conhecendo outras formas de expressão cultural. É esse intercâmbio que enriquece a nossa cultura e fortalece o sentimento de pertencimento, fazendo com que os maceioenses reconheçam e tenham orgulho das nossas raízes", destaca Rodrigo.

E completa: "E o impacto vai além dos palcos. Tivemos mais de 50 empreendedores na Feira da Economia Criativa, mostrando seu trabalho e gerando renda. Investir em cultura é também investir nas pessoas, criar oportunidades e valorizar quem mantém vivas as nossas tradições. Maceió tem uma riqueza cultural enorme, que merece ser cada vez mais conhecida no Brasil e no mundo”.

Para o presidente da FMAC, Myriel Neto, o festival representa um novo momento para a cultura da cidade ao criar um espaço de encontro entre a produção local e manifestações de outros territórios.

“Essa primeira edição foi muito especial porque conseguimos fazer aquilo que sempre defendemos: colocar o artista da terra no centro, abrir as portas para o intercâmbio e fazer a cultura ocupar a cidade. Jaraguá viveu dias inesquecíveis, com nossos grupos encontrando artistas de outros estados e países, trocando experiências e mostrando a beleza da nossa cultura. E também tivemos a oportunidade de homenagear pessoas que ajudaram a construir essa história. É uma alegria ver Maceió reconhecendo seus mestres, seus artistas e suas tradições enquanto recebe o mundo de braços abertos”, afirma.

Além da programação artística, o festival também promoveu ações de intercâmbio, atividades formativas e uma Feira da Economia Criativa com mais de 50 empreendedores, fortalecendo a relação entre cultura, trabalho e geração de renda.

Ao longo dos três dias, o que se viu em Jaraguá foi uma cidade encontrando a própria identidade enquanto se abria para o mundo. Foram encontros entre gerações, linguagens e territórios, entre quem chegou de longe e quem há décadas mantém viva uma tradição nas ruas de Maceió.

A primeira edição termina, mas deixa uma imagem que vai além dos palcos: a de um Jaraguá vivo, ocupado e cheio de histórias para contar. Um lugar onde a cultura local encontrou outras culturas, onde nomes importantes da cidade foram lembrados e onde mais de 150 grupos e artistas ajudaram a escrever, juntos, o primeiro capítulo de um festival que já nasce com a dimensão de um grande encontro nacional.

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