Chuvas abaixo da média em Maceió apresentam possível influência do El Niño
Dados de precipitação mostram redução significativa das chuvas em janeiro, fevereiro, julho e agosto; fenômeno climático pode ter contribuído para o comportamento observado
Os dados de precipitação registrados em Maceió ao longo de 2026 apontam para períodos de chuva significativamente abaixo do esperado para a capital alagoana. A análise dos volumes registrados entre janeiro e agosto indica que, embora o comportamento tenha variado ao longo do ano, os maiores déficits ocorreram especialmente em julho e agosto, meses que integram o período chuvoso de Maceió.
Em janeiro, foram registrados 26 milímetros de chuva, diante de uma média esperada de 91 mm, o equivalente a 28,57% do volume previsto. Em fevereiro, foram 43 mm para uma expectativa de 80 mm, correspondendo a 53,75%.
A partir de março, entretanto, houve uma recuperação nos volumes. O mês registrou 138 mm, superando em 36,63% o volume esperado de 101 mm. Em abril, foram 222 mm, contra 194 mm esperados. Maio apresentou comportamento praticamente dentro da normalidade, com 293 mm registrados para uma expectativa de 295 mm. Em junho, foram 304 mm, correspondendo a 94,12% do volume esperado, de 323 mm.
A redução voltou a ser expressiva em julho. Maceió registrou apenas 72 mm de chuva, enquanto eram esperados 271 mm para o mês, apenas 26,57% do volume previsto. Em agosto, foram 101 mm, diante de uma expectativa de 191 mm, o equivalente a 52,88%.
Possível influência do El Niño
O comportamento observado nos últimos meses apresenta características compatíveis com os efeitos associados ao El Niño sobre o regime de chuvas do Nordeste. O fenômeno foi confirmado pelos órgãos de monitoramento climático, como o NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) e está associado à possibilidade de condições mais secas em parte da região.
“Apesar da coincidência entre a atuação do fenômeno e a redução das precipitações, os dados não permitem afirmar que o El Niño tenha sido o único responsável pelo déficit de chuvas registrado em Maceió. O regime pluviométrico é influenciado por diferentes sistemas atmosféricos e oceânicos, que podem atuar simultaneamente”, explica o meteorologista e coordenador de Centro Integrado de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil de Maceió, Hugo Carvalho.
Dessa forma, a análise aponta para indícios de possível influência do El Niño na redução das chuvas observada na capital, principalmente durante julho e agosto, quando os volumes registrados ficaram muito abaixo do esperado.
A avaliação do comportamento climático é importante para o planejamento das ações de prevenção e resposta da Defesa Civil de Maceió, especialmente diante da necessidade de acompanhar períodos de estiagem, alterações no regime de chuvas e possíveis impactos sobre áreas de risco.
Os dados também reforçam a importância do monitoramento permanente das condições meteorológicas, uma vez que a distribuição das chuvas pode apresentar variações significativas mesmo dentro de uma mesma estação.
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